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Função Inversa

A função que desfaz o que a outra fez. É o que torna o logaritmo a inversa da exponencial — e o que explica o espelho na reta y = x.

Desfazer o caminho

Uma função leva x até y; a inversa traz y de volta até x

Se f é uma máquina que transforma 3 em 7, a inversa f⁻¹ é a máquina que pega o 7 e devolve o 3.

3 → f → 7

7 → f⁻¹ → 3

f⁻¹(f(x)) = x, sempre

Essa é a definição inteira: a ida seguida da volta não sai do lugar. Tudo o mais é consequência.

⚠️ f⁻¹ não é 1/f

O −1 aqui não é expoente. Para f(x) = 2x, a inversa é x/2 — e não 1/(2x). São coisas completamente diferentes, e a notação é infeliz.

Mas há uma condição. Se duas entradas diferentes dão a mesma saída, a volta não sabe de qual delas veio — e a inversa não existe. É o que o simulador mostra com .

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Escolha a família, veja se ela é injetora, acompanhe a ida e a volta e repare no espelho na reta tracejada.

f(x) = 2x + 1

f⁻¹(x) = (x − 1) ÷ 2

y = x
f f⁻¹ y = x

Teste da reta horizontal

Injetora — tem inversa

Toda reta não horizontal é injetora: nenhuma reta horizontal a cruza duas vezes.

A ida e a volta

f(1) = 3

f⁻¹(3) = 1

Voltou ao ponto de partida: f⁻¹(f(1)) = 1

O ponto azul é (1, 3); o roxo é (3, 1) — as mesmas coordenadas trocadas de lugar, espelhadas na reta tracejada.

Como se acha a inversa

y = 2x + 1

troco x por y: x = 2y + 1

isolo y: y = (x − 1) ÷ 2

f

D =

Im =

f⁻¹

D =

Im =

O domínio de uma é a imagem da outra — trocar x por y troca também os conjuntos.

Quando a inversa existe

Uma condição só: nenhuma saída pode ter duas entradas

Teste da reta vertical

Diz se o gráfico é função: cada x pode ter só um y. Se uma vertical corta duas vezes, não é função.

Teste da reta horizontal

Diz se a função é injetora — e portanto se tem inversa. Se uma horizontal corta duas vezes, dois x diferentes dão o mesmo y, e a volta fica ambígua.

É o mesmo teste, girado 90°. E faz sentido: a inversa é o gráfico refletido, então o que era vertical vira horizontal.

O caso da parábola

f(x) = x²

f(2) = 4

f(−2) = 4

dois x, o mesmo y → não injetora

Perguntar “qual x tem quadrado 4?” tem duas respostas, e função não pode devolver duas. A saída é restringir o domínio: em x ≥ 0 a parábola só sobe, e aí a inversa existe — é a raiz quadrada.

f(x) = x², com x ≥ 0

f⁻¹(x) = √x

É por isso que √4 = 2 e não ±2: a raiz foi definida como a inversa do ramo positivo. O ± aparece ao resolver x² = 4, que é outra pergunta.

Como achar a inversa

Três passos, sempre os mesmos

1

Escreva y = f(x)

Troque o nome f(x) por y, só para facilitar.

2

Troque x por y e y por x

É aqui que a inversão acontece — entrada e saída trocam de papel.

3

Isole o y

Resolva para y. O que sobrar é f⁻¹(x).

Confira no fim: se f⁻¹(f(x)) não devolver x, algo saiu errado. É a verificação mais barata que existe.

Pares para reconhecer de cara

f(x) = x + 5f⁻¹(x) = x − 5

somar 5 desfaz-se subtraindo 5

f(x) = 3xf⁻¹(x) = x ÷ 3

multiplicar por 3 desfaz-se dividindo por 3

f(x) = 2x + 1f⁻¹(x) = (x − 1) ÷ 2

desfaz na ordem inversa: primeiro tira o 1, depois divide

f(x) = x³f⁻¹(x) = ∛x

o cubo é injetor em ℝ — diferente do quadrado

f(x) = 2ˣf⁻¹(x) = log₂(x)

o logaritmo é, por definição, a inversa da exponencial

Por que o gráfico espelha em y = x

A explicação é mais simples do que parece

Se o ponto (3, 7) está no gráfico de f, então f(3) = 7. Logo f⁻¹(7) = 3, ou seja, o ponto (7, 3) está no gráfico de f⁻¹.

Trocar (a, b) por (b, a) é exatamente refletir na reta y = x. Como isso vale para todos os pontos, o gráfico inteiro é o reflexo.

Domínio e imagem trocam

Se x e y trocam de papel, os conjuntos trocam junto: D(f⁻¹) = Im(f) e Im(f⁻¹) = D(f). É o motivo de o logaritmo só aceitar x > 0 — a exponencial só produz valores positivos.

No simulador, a linha laranja tracejada liga cada ponto ao seu reflexo. Ela cruza a reta y = x em ângulo reto, porque reflexão é isso.

Exponencial e logaritmo

2³ = 8 → log₂(8) = 3

2⁰ = 1 → log₂(1) = 0

2⁻¹ = 0,5 → log₂(0,5) = −1

Cada linha da esquerda vira a da direita com os números trocados de posição. O logaritmo não é uma operação nova: é a pergunta “a que expoente elevei a base?”, que é literalmente desfazer a exponencial.

Ver a página da função logarítmica →

Exemplos resolvidos

Sempre os mesmos três passos, mais a verificação

Função afim

Ache a inversa de f(x) = 3x − 6.

y = 3x − 6

troco: x = 3y − 6

x + 6 = 3y

y = (x + 6) ÷ 3

confiro: f(4) = 6 e f⁻¹(6) = 12 ÷ 3 = 4 ✓

Resposta:f⁻¹(x) = (x + 6)/3

Com fração

Ache a inversa de f(x) = (x + 2)/5.

y = (x + 2)/5

troco: x = (y + 2)/5

5x = y + 2

y = 5x − 2

confiro: f(3) = 1 e f⁻¹(1) = 5 − 2 = 3 ✓

Resposta:f⁻¹(x) = 5x − 2

Restringindo o domínio

f(x) = x² − 4 tem inversa? Em que condição?

Em ℝ não: f(3) = 5 e f(−3) = 5

Restrinjo a x ≥ 0, onde ela só cresce

y = x² − 4 → x = y² − 4 → y² = x + 4

y = √(x + 4), válida para x ≥ −4

Resposta:f⁻¹(x) = √(x + 4), com x ≥ −4

Exponencial e logaritmo

Qual a inversa de f(x) = 5ˣ?

y = 5ˣ

troco: x = 5ʸ

isolar y é perguntar a que expoente elevei 5

y = log₅(x)

confiro: f(2) = 25 e log₅(25) = 2 ✓

Resposta:f⁻¹(x) = log₅(x), com x > 0

Erros que todo mundo comete

Os quatro que mais custam pontos

⚠️ Confundir f⁻¹ com 1/f

O −1 não é expoente. A inversa de 2x é x/2, não 1/(2x).

⚠️ Inverter sem checar a injetividade

Nem toda função tem inversa. Antes de aplicar os três passos, veja se uma reta horizontal cortaria o gráfico duas vezes.

⚠️ Esquecer o novo domínio

O domínio da inversa é a imagemda original. A resposta fica incompleta sem ele — por isso se escreve “com x > 0”.

⚠️ Desfazer na ordem errada

Em 2x + 1, a ida multiplica e depois soma; a volta subtrai primeiro e depois divide. Como tirar meia e sapato: na ordem inversa.

Próximo passo

Função Logarítmica

A inversa da exponencial, agora com nome próprio — domínio, propriedades e aplicações.

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