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Espontaneidade e ΔG das pilhas

O ΔE° positivo diz que a pilha funciona. Mas há um número que amarra tudo à energia: o ΔG. E ele vem do potencial por uma fórmula só.

O sinal do ΔE° decide tudo

Espontânea ou não?

Toda pilha real tem ΔE° > 0. Esse é o critério de espontaneidade em eletroquímica: se a conta E°(cátodo) − E°(ânodo) dá positivo, a reação acontece sozinha e gera corrente.

Se desse negativo, significaria que escolhemos os eletrodos ao contrário — ou que a reação só ocorreria forçada por energia externa, que é justamente a eletrólise.

ΔE° > 0 → espontânea (pilha)

Quanto maior o ΔE°, mais afastados estão os metais na fila de reatividade e mais "forte" é a pilha.

Potencial × energia livre

ΔE° > 0ΔG < 0espontânea
ΔE° = 0ΔG = 0⟺ equilíbrio (pilha "morta")
ΔE° < 0ΔG > 0 ⟺ não espontânea (eletrólise)

A ponte com a energia: ΔG = −n·F·ΔE°

De volts para quilojoules

O potencial (em volts) e a energia livre (em kJ) medem a mesma tendência, e uma fórmula os liga:

ΔG = − n · F · ΔE°
  • n = número de elétrons trocados (mol)
  • F = constante de Faraday = 96500 C/mol
  • ΔE° = potencial da pilha (V)

O resultado sai em joules; divide-se por 1000 para ter kJ. O sinal negativo é o que garante: ΔE° positivo vira ΔG negativo — espontâneo.

De onde vem o "n"

É o número de elétrons que realmente circulam quando as duas semirreações são igualadas. Para Zn²⁺/Cu²⁺ (ambos 2 e⁻), n = 2. Para Zn/Ag⁺ (2 e⁻ e 1 e⁻), multiplica-se a prata por 2, então n = 2.

Zn → Zn²⁺ + 2e⁻
2 Ag⁺ + 2e⁻ → 2 Ag
n = 2

Simulador: ΔE°, n e ΔG

Monte a pilha e veja a conta da energia

Notação da pilha (IUPAC)

Zn | Zn²⁺ || Cu²⁺ | Cu

ânodo à esquerda · cátodo à direita

ΔE° = cátodo − ânodo

1,10 V

Elétrons trocados (n)

2 mol e⁻

Energia livre (ΔG)

-212,3 kJ

ΔG = −n·F·ΔE° = −2 × 96500 × 1,10 = -212,3 kJ

Como ΔE° > 0, temos ΔG < 0

✓ Reação espontânea

A pilha funciona sozinha e fornece corrente.

O potencial ΔE° e a energia livre ΔG dizem a mesma coisa por dois caminhos: ΔG = −n·F·ΔE°. Se ΔE° é positivo, ΔG é negativo → reação espontânea (a pilha funciona). O n é o número de elétrons que realmente circulam, obtido igualando as duas semirreações.

O que observar

Troque os metais e acompanhe o ΔG ficar mais negativo conforme o ΔE° cresce.

A notação IUPAC resume a pilha numa linha: ânodo à esquerda, cátodo à direita, com || pela ponte salina.

Zn + Cu dá 1,10 V e ΔG = −212,3 kJ — a clássica pilha de Daniell.

Exemplos resolvidos

Espontaneidade passo a passo

Calcular o ΔG

Pilha com ΔE° = 1,10 V e n = 2. Qual o ΔG? (F = 96500)

ΔG = −n·F·ΔE°

ΔG = −2 × 96500 × 1,10

= −212300 J

Resposta:ΔG = −212,3 kJ

É espontânea?

Uma reação tem ΔE° = −0,50 V. Ela ocorre espontaneamente?

ΔE° < 0 → ΔG > 0

Resposta:Não (só por eletrólise)

Achar o n

Numa pilha Al/Ag (Al³⁺ + 3e⁻, Ag⁺ + 1e⁻), qual o n?

igualar elétrons: mmc(3, 1) = 3

Resposta:n = 3

Comparar pilhas

Pilha X tem ΔE° = 0,4 V; pilha Y, 1,5 V. Qual é mais forte?

maior ΔE° → mais espontânea

Resposta:A pilha Y

Erros que todo mundo comete

Cuidados com ΔE° e ΔG

⚠️ Esquecer o sinal negativo

A fórmula é ΔG = −n·F·ΔE°. É esse menos que faz ΔE° positivo virar ΔG negativo (espontâneo). Sumir com ele inverte a conclusão.

⚠️ Multiplicar o E° pelo n

O potencial não depende da quantidade: dobrar a reação não dobra o ΔE°. O n entra só no cálculo do ΔG, não no do potencial.

⚠️ Misturar as unidades

Com F em C/mol e ΔE° em V, o ΔG sai em joules. Divida por 1000 para chegar aos kJ.

Próximo tópico

Eletrólise e leis de Faraday

O inverso da pilha: usar corrente para forçar a reação — e calcular quanto metal se deposita.