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Plano inclinado

O problema clássico de forças: decompor o peso numa rampa e descobrir se o corpo desliza — e com que aceleração.

Decompondo o peso na rampa

O truque é escolher os eixos certos

Num plano inclinado, o peso continua apontando para baixo — mas o movimento acontece ao longo da rampa. Por isso o segredo é inclinar os eixos: um paralelo à rampa, outro perpendicular. Aí o peso se divide em duas partes.

A parte paralela à rampa (Px = m·g·sen θ) é a que puxa o corpo para baixo ao longo do plano — é o “motor” do deslizamento. A parte perpendicular (Py = m·g·cos θ) é equilibrada pela normal e não gera movimento.

Repare: quanto maior o ângulo, maior sen θ e menor cos θ — ou seja, mais força puxando rampa abaixo e menos apertando contra ela. Por isso rampas íngremes escorregam com facilidade.

As componentes do peso

Px = m·g·sen θ

paralela à rampa — puxa para baixo

Py = m·g·cos θ

perpendicular — apertada contra a rampa

N = m·g·cos θ

a normal equilibra Py

Desliza ou fica parado?

A disputa entre o peso e o atrito

O corpo desliza se a componente do peso na rampa vencer o atrito máximo. Como o atrito é At = μ·N = μ·m·g·cos θ, a condição fica: m·g·sen θ > μ·m·g·cos θ. A massa cancela dos dois lados, sobrando uma condição só de ângulo:

desliza se tg θ > μ

Se ele desliza, a resultante na rampa é Px − At, e a aceleração sai de F = m·a. A massa some de novo — a aceleração não depende da massa:

a = g·(sen θ − μ·cos θ)
Sem atrito (μ = 0): desliza sempre, com a = g·sen θ. No caso extremo de 90° (queda livre), a = g.
Com atrito: se tg θ ≤ μ, o atrito segura tudo e o corpo fica parado (resultante zero).
Curiosidade: o ângulo em que ele começa a escorregar dá o coeficiente de atrito: μ = tg θ.

Simulador: o bloco na rampa

Ajuste inclinação, massa e atrito, depois solte o bloco

Normal (N)

33,9 N

Força resultante

12,8 N

Aceleração

3,2 m/s²

O peso na rampa (m·g·sen θ = 19,6 N) vence o atrito: o bloco desce acelerando a a = g(sen θ − μ·cos θ).

O que observar

As três setas: peso (para baixo), normal (perpendicular) e atrito (rampa acima).

Aumente a inclinação: em algum ângulo o peso vence o atrito e o bloco desliza.

Mude a massa: a aceleração não muda — ela só depende do ângulo e do atrito.

Exemplos resolvidos

Plano inclinado passo a passo (g = 10 m/s²)

Sem atrito

Um bloco desce uma rampa lisa de 30°. Qual a aceleração? (sen 30° = 0,5)

a = g·sen θ = 10 · 0,5

Resposta:5 m/s²

Força normal

Um bloco de 4 kg está numa rampa de 60°. Qual a normal? (cos 60° = 0,5)

N = m·g·cos θ = 4 · 10 · 0,5

Resposta:20 N

Com atrito

Rampa de 37°, μ = 0,25. Qual a aceleração? (sen 37° = 0,6; cos 37° = 0,8)

a = g·(sen θ − μ·cos θ)

a = 10·(0,6 − 0,25·0,8) = 10·(0,6 − 0,2)

Resposta:4 m/s²

Vai deslizar?

Uma caixa está numa rampa de 20° com μ = 0,5. Ela desliza? (tg 20° ≈ 0,36)

desliza se tg θ > μ

tg 20° ≈ 0,36 e μ = 0,5 → 0,36 < 0,5

Resposta:Não desliza (fica parada)

Erros que todo mundo comete

Cuidados no plano inclinado

⚠️ Trocar sen e cos

A componente que puxa pela rampa é m·g·sen θ; a que aperta contra ela é m·g·cos θ. Trocar inverte tudo.

⚠️ Normal = peso

Na rampa, N = m·g·cos θ, menor que o peso. Só no plano horizontal (θ = 0) é que N = m·g.

⚠️ A massa importa

A aceleração não depende da massa: ela cancela nas contas. Bloco leve e pesado descem com a mesma aceleração.

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