PIB

O termômetro da economia. Tudo o que um país produz em um ano, somado em uma única conta — e o que esse número esconde.

O que o PIB mede

Produto Interno Bruto

O PIB é o valor de todos os bens e serviços finais produzidos dentro de um país em um período — em geral, um ano. No Brasil, quem calcula é o IBGE.

A palavra finais é essencial: contam-se apenas os produtos que chegam ao consumidor. Se somássemos também os insumos, o mesmo valor seria contado várias vezes — o pneu, depois o carro que o contém. É a dupla contagem.

Interno quer dizer dentro do território, não importa a nacionalidade de quem produz. E bruto significa que não se desconta o desgaste das máquinas (a depreciação).

Há três óticas para chegar ao mesmo número: pela despesa (quem comprou), pela produção (o valor adicionado) e pela renda (salários, lucros, juros e aluguéis). O simulador usa a ótica da despesa.

A fórmula da despesa

PIB = C + I + G + (X − M)
C — consumo das famílias, o maior pedaço.
I — investimento das empresas (máquinas, obras).
G — gastos do governo em bens e serviços.
X − M — exportações menos importações.

Simulador: monte o PIB

Ajuste os componentes e veja a conta, a composição e o crescimento real

Componentes da despesa

R$ 6,5 tri
R$ 1,8 tri
R$ 2,1 tri
R$ 2,0 tri
R$ 1,6 tri

PIB (ótica da despesa)

R$ 10,80 tri

6,5 + 1,8 + 2,1 + (2,01,6)

Peso de cada componente

Consumo das famílias (C)
60,2%
Investimento (I)
16,7%
Gastos do governo (G)
19,4%
Saldo externo (X − M)
3,7%

Balança comercial

+R$ 0,40 tri

superávit: exporta mais do que importa

PIB per capita

R$ 50.704

dividido por 213 milhões de habitantes

Crescer de verdade ou só de preço?

+8,0%
+4,5%

Crescimento real do PIB

+3,35%

o país produziu mais bens e serviços, não só preços maiores

O PIB soma apenas bens e serviços finais, para não contar a mesma coisa duas vezes. E o crescimento real desconta os preços pelo deflator: (1 + nominal) ÷ (1 + deflator) − 1. Sem isso, inflação vira "crescimento".

O que observar

O consumo costuma pesar cerca de 60% do PIB brasileiro. Por isso medidas que mexem na renda das famílias movem tanto a economia.

As importações entram subtraindo: elas não foram produzidas aqui, e já estão embutidas em C, I e G.

Suba o deflator acima do PIB nominal e o crescimento real fica negativo: o país só ficou mais caro, não mais produtivo.

Nominal, real e per capita

O mesmo PIB, três leituras

PIB nominal

A preços correntes, do próprio ano. Sobe tanto quando se produz mais quanto quando os preços aumentam — por isso engana.

PIB real

A preços constantes, descontando a inflação pelo deflator. É este que diz se o país realmente cresceu.

PIB per capita

O PIB dividido pela população. Aproxima a média por habitante — mas nada diz sobre desigualdade.

Exemplos resolvidos

A conta do PIB

Ótica da despesa

C = 6,5, I = 1,8, G = 2,1, X = 2,0 e M = 1,6 (em R$ tri). Qual o PIB?

6,5 + 1,8 + 2,1 = 10,4

X − M = 2,0 − 1,6 = 0,4

10,4 + 0,4 = 10,8

Resposta:R$ 10,8 trilhões

Crescimento real

PIB nominal sobe 8% e o deflator, 4,5%. Cresceu quanto de verdade?

1,08 ÷ 1,045 = 1,0335

1,0335 − 1 = 0,0335

Resposta:3,35% de crescimento real

Crescimento negativo

Nominal sobe 3% com deflator de 6%. E agora?

1,03 ÷ 1,06 = 0,9717

0,9717 − 1 = −0,0283

Resposta:Recuo de 2,83%: a economia encolheu

Dupla contagem

Um pneu de R$ 500 vai num carro de R$ 80.000. Quanto entra no PIB?

o pneu é insumo, não bem final

seu valor já está no preço do carro

Resposta:R$ 80.000 (só o bem final)

O que o PIB não mede

Os limites do indicador

⚠️ Desigualdade

Um PIB per capita alto pode esconder uma concentração enorme de renda. É uma média, não uma distribuição.

⚠️ Bem-estar e meio ambiente

Saúde, educação, lazer e a destruição ambiental não entram na conta. Poluir pode até aumentar o PIB.

⚠️ Trabalho não pago e informal

Trabalho doméstico, voluntário e boa parte da economia informal ficam de fora do cálculo.

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