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Juros e Selic

O preço do dinheiro no tempo. Entenda o juro composto, a taxa que o Banco Central controla e por que só o juro real conta.

Juros: o aluguel do dinheiro

Simples e composto

Juro é o preço de usar o dinheiro de outra pessoa por um tempo. Quem empresta cobra; quem investe recebe. É o mesmo mecanismo, visto dos dois lados.

No juro simples, o rendimento incide sempre sobre o capital inicial — o crescimento é uma reta. No juro composto, ele incide sobre o montante já acumulado: juro sobre juro. O crescimento vira uma curva exponencial.

Na prática, quase tudo no mundo real é composto: poupança, financiamento, cartão de crédito e a inflação. Por isso o tempo é o fator mais poderoso — a curva só acelera.

O juro composto trabalha a seu favor quando você investe e contra você quando você deve. É a mesma matemática, com o sinal trocado.

As fórmulas

Simples: M = C × (1 + i × n)
Composto: M = C × (1 + i)n
Real: (1 + i) ÷ (1 + π) − 1

C capital · i taxa · n períodos · π inflação

A Selic: a taxa que rege todas

A ferramenta do Banco Central

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida a cada 45 dias pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Ela é a referência para todas as outras taxas: empréstimos, financiamentos e investimentos.

É a principal arma contra a inflação. Subir a Selic encarece o crédito, esfria o consumo e a demanda — e os preços sobem menos. Baixar a Selic faz o contrário: barateia o crédito, aquece a economia e estimula o consumo.

O Banco Central persegue uma meta de inflação. A Selic é o pedal com que ele acelera ou freia a economia para chegar lá — sempre com meses de atraso no efeito.

O efeito de mexer na Selic

Selic sobe ▲ — crédito caro, consumo cai, inflação cede, economia esfria.
Selic desce ▼ — crédito barato, consumo sobe, economia aquece, inflação pressiona.
Lembre da oferta e demanda: mexer no crédito mexe na demanda de toda a economia.

Simulador: composto, simples e o juro real

Ajuste juro, prazo e inflação e veja o que sobra de verdade

10,0%
10 anos
4,5%

Aplicando R$ 1.000,00 por 10 anos

Juro composto

R$ 2.593,74

rende sobre o que já rendeu

Juro simples

R$ 2.000,00

rende sempre sobre os R$ 1.000

O composto rende R$ 593,74 a mais29,7% acima do simples

Como o dinheiro cresce, ano a ano

R$ano

composto · - - simples

Juro real (acima da inflação)

+5,26%

Seu dinheiro ganha da inflação: os R$ 2.593,74 valem R$ 1.670,18 em moeda de hoje.

O juro real não é a subtração juro − inflação. Usa-se a equação de Fisher: (1 + juro) ÷ (1 + inflação) − 1. A conta de subtrair é só uma aproximação, que erra cada vez mais quando as taxas são altas.

O que observar

Em prazos curtos, composto e simples quase se confundem. Aumente o período e veja a curva descolar da reta — é o tempo fazendo o trabalho.

Suba a inflação acima do juro e o juro real fica negativo: você tem mais reais, mas compra menos coisas.

O real usa Fisher, não subtração: a 10% com 4,5% de inflação, o real é 5,26% — e não 5,5%.

Exemplos resolvidos

A matemática dos juros

Composto x simples

R$ 1.000 a 10% ao ano por 2 anos: qual a diferença?

Simples: 1000 × (1 + 0,10 × 2) = 1.200

Composto: 1000 × 1,10² = 1.210

Resposta:R$ 10 a mais no composto

Juro real

Investimento rende 10% e a inflação foi 4,5%. Qual o ganho real?

1,10 ÷ 1,045 = 1,0526

1,0526 − 1 = 0,0526

Resposta:5,26% ao ano (não 5,5%)

Juro real negativo

Rende 6% com inflação de 8%. Você ganhou ou perdeu?

1,06 ÷ 1,08 = 0,9815

0,9815 − 1 = −0,0185

Resposta:Perdeu: −1,85% ao ano

Dobrar o capital

A 10% ao ano, em quanto tempo o dinheiro dobra?

Regra dos 70: 70 ÷ 10 = 7

Exato: ln2 ÷ ln(1,10) ≈ 7,27

Resposta:Cerca de 7,3 anos

Erros que custam caro

Cuidados com juros

⚠️ Subtrair para achar o real

Juro inflação é só aproximação. O certo é dividir: (1+i) ÷ (1+π) − 1.

⚠️ Confundir ao mês e ao ano

2% ao mês não é 24% ao ano: é 1,0212 − 1 = 26,8%.

⚠️ Subestimar o rotativo

O cartão de crédito é composto e altíssimo: a dívida dobra em poucos meses.

Economia

Você domina o preço do dinheiro

Oferta e demanda, inflação e juros: as três engrenagens que movem a economia.

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